DÍZIMO, UMA REFLEXÃO PARA A VIDA

Padre Ivanildo Teixeira Vieira | Novembro 2019

Querido Povo de Deus,

Estamos no mês de Novembro. Nossa Igreja, no Brasil, todo ano, reserva este mês para refletir sobre o Dízimo. Por isso, aproveito este nosso instrumento para fazer com você esta reflexão.

Inicialmente, poderíamos perguntar o que é o dízimo. Na oração sobre o dízimo, rezamos assim: "Recebei, Senhor, a minha oferta, não é uma esmola, porque não sois mendigo; não é uma contribuição, porque não precisais; não é o resto que me sobra que vos ofereço..."

Então, não é uma esmola, não é uma contribuição e nem é o resto que Lhe ofereço. Assim, sabemos o quê o Dízimo não é. O que é, então? Dízimo é devolução. Devolvo a Deus uma parte do tudo que, Ele me concede. É assim que devemos conceber ou entender o Dízimo. Para isso, é preciso ter fé. Acreditar que tudo o que possui é graça de Deus.

Assim crendo, você, eu nós, a primeira parte do nosso vencimento deveria ser para devolver a Deus, por meio do dízimo. Como acontece essa devolução? Ela acontece por meio das três dimensões que tem o Dízimo: Dimensão Religiosa, Missionária e Social.

Cada dimensão define sua finalidade. A dimensão Religiosa trata-se da relação do cristão com Deus. Devolvendo parte do tudo o que Deus lhe oferece, o fiel cultiva e aprofunda sua relação com Aquele de quem provém tudo o que ele é e tudo que ele tem e expressa, na gratidão, sua fé e sua conversão. Ela se destina para os trabalhos de funcionamento e manutenção da Igreja, além do custeio da formação.

A dimensão Missionária percebe o fiel como corresponsável por sua comunidade, de modo a tomar consciência de que há muitas comunidades que não conseguem prover suas necessidades com os próprios recursos e que precisam da colaboração de outros. O dízimo possibilita a partilha de recursos entre as paróquias de uma igreja particular e entre as igrejas particulares, manifestando a comunhão que há entre elas. Em nossa Arquidiocese, temos o chamado Fundo de Solidariedade: toda paróquia destina 10% de tudo o que recebe durante o mês à Mitra (Empresa que administra a Arquidiocese). Esse dinheiro ajuda o cuidado e acolhida de padres idosos e doentes, auxilia o pagamento aos padres que a própria paróquia não consegue pagar, além de contribuir nas obras das paróquias mais pobres.

Por fim, a dimensão Social, que visa cuidar dos mais pobres e ser sensível às necessidades dos outros, atitude esta que identifica o cristão. Quando a comunidade contribui sistematicamente para os projetos de promoção humana ou de socorro às necessidades especificas, contribui também para humanização das estruturas sociais e para seu processo.

Recentemente, criou-se uma outra dimensão do dízimo: a Eclesial Pastoral, a qual fortalece, no dizimista, o sentimento de pertencer à Igreja. “A consciência de ser Igreja leva os fiéis a assumirem a vida comunitária, participando ativamente de suas atividades e colaborando para que a comunidade viva cada vez mais plenamente a fé”.

Por meio do dízimo, o fiel vivencia a sua consciência de ser membro da Igreja, pela qual é corresponsável, contribuindo para que a comunidade disponha do necessário, a fim de realizar o culto divino e desenvolver sua missão.

Não esqueçam: Dízimo é devolução.

Que Deus nosso Pai vos ilumine com seu Espírito e, assim, cada um de nós possa crescer no desapego e libertar de nosso egoísmo.